quinta-feira, agosto 08, 2013

esfingindo

esfingindo from floratomo on Vimeo.

teso o corpo afiado
tece em sangue a réplica
do falar sobre o inevitável
delgado escuro
sob o lençol azul da noite
tingindo
ainda que secretamente
a face da preocupação
de como atravessar o largo rio que se abre à pincelada
vermelha e fora de época
que os morangos já se despedem do inverno
e da boca o entrelace do sim e do não
é só qualquer coisa de maior importância, mas é só
como se atentar estranhamente bem no agora sempre contínuo
no misto de estouro e brisa
decifro-me ou me devoro

quinta-feira, julho 25, 2013

CIDADE JAZIGO: QUARUP SOLO


CIDADE JAZIGO: QUARUP SOLO from floratomo on Vimeo.

“É preciso escovar a História a contrapelo”.
Em tempos de memórias difusas, ontem é hoje.
A cidade-jazigo revolve as covas de Tupinambás, Guaranis, Carijós e Temiminós.

Uma cruz indica o final da estrada, ali jazem os deuses ensanguentados de um antigo urucum.

terça-feira, junho 25, 2013

eco

eco from floratomo on Vimeo.

terça-feira, maio 21, 2013

inverossímil

inverossímil from floratomo on Vimeo.

ou o beijo escuso de psiquê

quinta-feira, abril 11, 2013

vou salientar mais o fazer subjetivo até que saia objeto de mim.

quarta-feira, abril 10, 2013

idade média nos dentes

o que as pessoas fazem em suas idades médias? eu costumava inventar demônios para fugir deles, contrariamente ao que a humanidade fez na sua, na qual os inventava para persegui-los.

terça-feira, abril 09, 2013

desapropriado para insones

há lugares que só poderemos também encontrar nos sonhos, lugares que pereceram junto às pessoas, porque o concreto rui como um corpo. e esses dias andaram entre ruínas acontecidas, as das margens dos eventos antigos, muitos sobrepostos pelo sonho que evidenciava. estava a observar a minha mão com a impressão de que poderia manipular a mácula onírica. lançava-me por uma janela; entre as mãos, escondia a carta das línguas do poeta que tinha o costume de me procurar pelos sonhos. acreditava que aquele lugar era íntimo meu, e às vezes, via abrigo nele; então, como suportaria a invasão daquele poeta nos meandros da minha sobrevivência senil? mas isso foi há muito. hoje, por lugares desabitados, percorro, já estanciando o meu.

segunda-feira, abril 01, 2013

vênus de milo com avessos

vênus de milo com avessos from floratomo on Vimeo.

entrelíricas e vice-versa

sexta-feira, outubro 26, 2012

VELUDO AZUL ATONAL (heartsclub bazar II) @chacomcamofas

VELUDO AZUL ATONAL (heartsclub bazar II) @chacomcamofas from floratomo on Vimeo.

Nossa fantasia lynchiana de cada dia, dá-nos hoje. O céu é o limte!

terça-feira, setembro 25, 2012

A hora Lumière (heartsclub bazar) @chacomcamofas

A hora Lumière (heartsclub bazar) @chacomcamofas from floratomo on Vimeo.

*cinema cabe(a)lístico, teoria do miaos & outros infamantes profissionais..
Livre inspiração de arte e recorte, promovendo queridices e requintando araras e cores.

Tomemos Chá Com Camofas, no seu fabuloso bazar interativo, o lugar das excepcionalidades!

quarta-feira, agosto 01, 2012

cinemascope brilhante ato I.

o diamante atravessou a ponte do rio e coincidiu com a fábula da árvore preciosa.
foi mirando a ostentosa com um paladar indiscreto e direto à palestra:
- mas que vontade é esta?
apontou a maçã.
- agora ela é demasiada tardia. te provarei somente amanhã.
a continuidade do enredo não era um fato, ele sabia.
mas coloriu o segredo e se referiu ao próximo ato.

cinemascope brilhante ato II.

foram as horas
e o rio

o tempo
se refletiu em outro instante
o brilho 
arrastou sua vertigem para adiante
a maçã 
insistiu um abraço de copa

e a manhã foi uma mordida precipitada.

cinemascope brilhante ato III.

eis que a sábia fala ocorre à sombra...
onde jaz uma dúvida. 

remota dúvida.

- agora provada irá ter com o mundo e o eterno?

cinemascope brilhante ato IV.

se a dúvida é falta de respostas
a escolha é a perda de algumas delas

que sejam as vísceras, a torre, os olhos ou os sonhos...
os dedos para contar e os lados para medir

foi a esta qualquer intenção que o diamante se deixou debilitar
não permitia ao corpo a emancipação do seu costume
e nem à intuição a rebeldia do seu sangue


paciência...

eram quatro os ventos que lhe sopravam a mesma tentação, 
porém cada qual em distinta direção.

cinemascope brilhante ato V.


ele antevê o derrame da lua que se esvazia, e dissimula a noite orgânica em uma fantasmagoria visceral, percorrendo incessantemente o verbo que se desfaz na boca próxima, amortecida pelo seu éter de amante. a rompe feito uma matemática excessiva e depois sela o vazio com silêncio. o que transborda é habitado pelas licenças poéticas, foge aos nomes e às línguas...

ela o sente como o vento que bate a porta...

cinemascope brilhante VI.


o vento que encerra a porta, abre arbitrariamente o livro na página do meio. são descritos ali os termos das abstrações. porém todas elas se concretizam em palavras e nenhuma imagem se faz. depois, a página que se vira se torna à ela mesma, como se a continuação fosse única e estagnada pela sua falta. são logo as abstrações eternizadas, contidas num gerúndio babilônico, tão redundantes que a nada se abstraem.

cansada, ela contempla pela janela um tempo para a monotonia, a séculos de altura, vivenciando sempre a mesma paisagem, a daquele amor sem idade e nem consumo. quase acredita em um seguinte capítulo, talvez o de descer ao futuro onde encontraria o solo para os pés descansar, mas lá do alto ela pensa no céu, onde sua nostalgia parece mais genuína e a remete às imagens que subliminarmente tingem seus pensamentos quanto aos antigos capítulos.

cinemascope brilhante ato VII.


no escuro, ela vislumbra por outros olhos algo que lhe pertence. é tarde quando o tempo canta a sua existência e penetra-lhe uma incessante intenção entre os sentidos, ansioso por desnaturar os tecidos negligentes. é o seu corpo que pede mais uma vez um pouco de reconhecimento, como se a insônia lhe obscurecesse o ar e arquitetasse um labirinto reflexivamente insólito. nenhuma sinuosidade ainda lhe foi útil porque sempre se deparava com a mesma urgência, circundava em torno da monocromática inércia, buscava o impreciso paradeiro.

no escuro, ela se espera sozinha, tateando o frio comprimento dos seus pêlos em espanto. nada lhe é mais visível do que a sensação que se causa agora, nem há outra graça além dessa áspera nitidez. ela, então, devora aqueles olhos para não esquecer o caminho que fizera até ali e se esparrama numa paz ensurdecedora.

logo, o cansaço a envolve para temperar a noite cúmplice que se adia, abotoando-lhe as densas pálpebras e conduzindo-a a silhueta de um sonho...

cinemascope brilhante ato 8.


fugir do tempo era um beijo congelado, e a madrugada púrpura rebentou as hipóteses de um místico amor. mas este não cheirava feito o tempo, somente feria as concordâncias, todas ao frio do vazio, ante aqueles corações ardentes a derramar demasias de um grito sem lugar. quanto mais aquosos e pungentes, surtindo uma lisérgica ininterrupção, menos reparavam na condição do tempo que se perdia ao penetrar  naquelas ânsias, feito integrante da matéria que lhes palpitou sem ruído.

fugir do tempo era perpetuarem-se náufragos, unidos por uma memória imprópria, e a inexistência pôde enfim tornar-se real, como a madrugada púrpura que nunca houvera. mas aquela simbiose ofegante, das vontades dos amantes, poetava-lhes os segundos seculares de que careciam.

ainda o faz...