Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Quinta-feira, Outubro 08, 2009
Quarta-feira, Setembro 30, 2009
Sábado, Setembro 26, 2009
uma rosa hereditária
Segunda-feira, Setembro 14, 2009
vontade de noite em frança
Terça-feira, Setembro 01, 2009
abstinência
Terça-feira, Agosto 18, 2009
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
i want you so bad
Quarta-feira, Julho 29, 2009
Quinta-feira, Julho 23, 2009
A língua e a bainha
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Sexta-feira, Junho 12, 2009
um diálogo entre musos II
Domingo, Maio 31, 2009
Sábado, Maio 30, 2009
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Segunda-feira, Abril 13, 2009
Sexta-feira, Março 13, 2009
Segunda-feira, Março 09, 2009
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009
esta noite não chove... II
indagando e repetindo seus traços entrecortados pela rachadura.
por que esta espera tem um gosto tão doce?
Terça-feira, Fevereiro 24, 2009
persefonificando

a sorte me espanta os nomes,
nomes que se dão às coisas cabíveis ao sentido humano,
às coisas que deveriam participar dos dias,
ainda que bem no íntimo.
mas em toda e qualquer medida, eu não me encaixo,
mesmo contando ser privilegiada pelos sangues azuis e retóricas finas,
sublime como o nascimento da deusa ou o delírio do diabo.
diferente,
como no silêncio, a vontade se
parafraseia e eu me calo
doente de amor.
remedio o veneno
com a introspecção.
nem a mim destranco a porta.
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009
baile dos simulacros
o sonho soava uma promessa...
mas, eu, entidade desperta, como quem padece da memória, desfiz-me à aurora, logo surpreendida pelas tuas inexistências.
Quinta-feira, Janeiro 01, 2009
lua em vênus

evoco a tua face até me constar divergida da realidade, como se me tocasse um sentimento alheio por me interceptar: não pise por onde não há caminho! e os sapatos novamente se vão. descalça percorro eu toda a senda por um fio de equilíbrio, alada em vigílias que me carregam para longe de um corpo, desatento, que grita o teu nome... caso fosses tu o movimento que me faltasse àquele corpo... ao relento, ao entorpecido fato de existir às vezes, quando se espera ao menos um sorriso, uma simpatia do acaso.
Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
Sábado, Novembro 15, 2008
idade do amor lascado

uma mala na porta e o mundo tal o que éramos
antes das velas nacaradas de junho, antes do real maravilhoso,
antes mesmo das religiões e dos blues cósmicos!
era de pedra que alimentávamos nossos ócios
sem saber nos existir
sem contar dias de bombons de uma fada doméstica
naquele tempo em que não se forjava poesias em improviso
quando mãos e olhos eram ainda de menina
e o cigarro era um prazer solitário
enquanto as manhãs virgens e claras
se dividiam entre os paralelepípedos prateados e uma árvore desconhecida.
ainda os renascentistas pintavam uma baía de sempre,
uma ladeira santa era paisagem para os planos de sol,
os amores eram rebentos balbuciando na varanda
e as madrugadas pertenciam somente às bruxas
depois,
nenhuma correspondência do além-mar inspirou cócegas
e nem chá com camofas se tomou
porque não se falava em voz baixa
e nem se tinha medo do medo
mas...
como nos tornamos metais, a mala na porta
significa que não nos amaremos mais!
Quinta-feira, Novembro 13, 2008
minerva de pecado (ou solo de um eco)
catavas as saudades e outras poesias entre as horas que te penetravam... mas havia o termo exato para que te confundisse contigo mesma.
foste achar a memória da lógica, contas de subtração na adolescência.
risos deste de nervoso, minerva, cheia de espinhos na consciência.
orientes psicossomáticos vinham a te chamar uma atenção.
pediste silêncio aos teus passos; caíram na sombra da ciência todos os frutos de tanto te elucubrar.
escutou-se o pulsar da imaginação (segredo) em preto e branco, eram contrastes em outra língua.
por um instante, minerva, sentiste encontrar a saída, mas o teu labirinto já se multiplicava...
comum destino este de vagar por estranhas entrelinhas nas quais não se é permitido perscrutar.
Terça-feira, Outubro 14, 2008
dama de caos
Quinta-feira, Outubro 02, 2008
teias tecem aranhas tais
Domingo, Setembro 28, 2008
fala
o que os olhos ardem, o espírito palpita em horas claras, assim que ofuscam qualquer clareza que lhe seja imprescindível. às vezes, sinto chorar em mim o quebrar do tempo em coisas passadas que não mais se fazem sentido; faz-se, por conseguinte, um derramar de memórias anônimas. esqueço até o que virá acontecer quando assim me reverbero num ponto de fuga caleidoscópico, sem fresta, nem aresta. o pôr da lua, se não chega a ser um parto de dor, quase se perpetua num contrato de cegos, acorrentados uns aos outros, trazendo instantes de não se sabe onde para não se sabe quando. mas isso é inerente a todos que não sabem o que fazer com os ponteiros insones.
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2003
a noite que chovia molhou o mundo inteiro, saí ao frio para aliviar minha sede. ouvia-se o som da capoeira na rua em que moravas. sentei-me à porta e desviei a atenção para o cachorro uivando de saudades de quê. o tempo se cansava e afastei-me de mim, corri sem voltar os olhos, o chão ia desaparecendo enquanto eu caía no profundo corpo. tua janela sempre aberta se fechou para o cachorro uivando de saudades minhas. eram o tempo e os olhos do cão. tentei me secar, mas ainda me retém a umidade de tudo.
durante a sessão, ele pensou que nunca mais voltaria àquele cinema, nem mais assistir aos filmes que também passavam ali. faria greve das vontades do mundo, o fim da graça daqueles anos mudados pelos girassóis que distribuía entre os amigos. depois pensou em arrumar as malas e contar as montanhas que encontrasse pela estrada, voltando para o lugar que jamais teria novamente. não teria o mesmo sabor, e o tédio o dominaria sem preguiça. a lua é a mesma, enfim, teria a paisagem da janela de sempre.
Quarta-feira, Setembro 03, 2008
Delírio Náufrago
instantâneo instintivo
peculiar náufrago
malogrado perder-se espontâneo narciso
inspirar enamorar-se
desenho náufrago
vida exterior
impulso imerso líquido
percorrer atmosfera
espaço cósmico
cortante náufrago
quando existe irreversível
escuro espectro
devanear-se fantástico
fato fábula
mito náufrago
inebriar-se singular
calar-se face serpente
remoto náufrago músculo
inefável fluido
diáfano ruído
derramar-se peixe
oscilar-se ósculo
maleável denso
desterro temporário
oriente náufrago
oráculo ermo
sombrio áspero
vestígio náufrago
radiante efêmera
a duração do silêncio
o espaço entre linhas escritas
inolvidável devorar
insaciável vazante
delírio náufrago
(Daya Gibeli/Camila Marquez)
Domingo, Agosto 31, 2008
um aceno de quem fica
Domingo, Agosto 24, 2008
poema de desintenção
eu, sensação de maçã
coincido com a invasão de amanhã
jugulada numa trança de auroras
Terça-feira, Agosto 05, 2008
domingo, 03 de agosto de 2003
que desejo de domingo expectorante para aliviar as expectativas dos dias de simulada libertação. talvez eu precise soltar os cabelos, tirar os sapatos e cantar uma música que fale alto aos ouvidos desatenciosos deste rumo em que vou me atualizando. basta de pensar suposições, os acontecimentos vêm, assim, inesperados, e nada adianta esperar por aqueles anseios sem nexo, a verdade é transitória, nada será como está agora... enfim, chegara o mês para os cachorros invadirem nosso cotidiano aos gritos e ventanias. cuidaremos por não enlouquecermos também.
Quinta-feira, Julho 31, 2008
domingo, 13 de julho de 2003
daria ao tolos um sensato castigo!
salve a Mãe que tudo pariu!
que Ela ainda esteja no meio de nós...
Quarta-feira, Julho 30, 2008
sábado, 05 de julho de 2003
ainda penso se existimos para lidar com as lembranças das tardes frias de julho com esta nostalgia impreterível.
nada além do meu desejo anti-horário...
Sexta-feira, Julho 11, 2008
terça-feira, 17 de junho de 2003
Quinta-feira, Julho 10, 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2003
Quarta-feira, Julho 09, 2008
domingo, 08 de junho de 2003
o silêncio, por vezes, é mais atento.
cuido das minhas palavras e a reciprocidade é bem vinda nestes dias de nuvens sufocantes.
por gentileza...
Segunda-feira, Junho 16, 2008
quinta-feira, 05 de junho de 2003
uma xícara de chá para acalmar os ruidosos dias de trabalho, por obséquio...
Quinta-feira, Junho 12, 2008
diálogo entre musos
inculta-me a noite
necessária azíaga de sonhos
doces que deflorem
se a gente acorda,
que durma o amor ao lado
flutuante em vigília, alado
- a minha carne parece, às vezes, fibras de metais...
- feita de metades?
(flor e pessôa)
Segunda-feira, Junho 09, 2008
quarta-feira, 04 de junho de 2003
Segunda-feira, Junho 02, 2008
domingo, 01 de junho de 2003
Segunda-feira, Maio 26, 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2003
Sábado, Maio 24, 2008
sexta-feira, 16 de maio de 2003
Sexta-feira, Maio 23, 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2003
Sábado, Fevereiro 23, 2008
paradigma da tempestade
tempo em descaracter
às vezes, encontro-me com os olhos abertos
o que quero ver é
que todo o espaço teu
não permite o mau tempo...
Domingo, Janeiro 27, 2008
perfume de maio
que ficou atrás de uma translúcida cortina
descosturada como aquele tempo
esquecido, pendurado num galho de pensamento desbotado
um triste lembrar amarelado
mas preciso de intenção
que deixou qualquer música gasta pela agulha
da paciência ou dos óculos depositados num livro fechado
desconcentrado
que sangrou um amor vermelho e opaco
e nenhum medicamento influiria
nenhuma outra tarde seria tão lírica
mas os dias contam em regresso para que venham outra vez
sem a tua companhia, para que nada falte
as tardes de alecrim nada estampam
nada aludem, nem inspiram
as tardes de alecrim nunca existiram
Sábado, Janeiro 26, 2008
na véspera da febre,
os personagens dos olhos de vênus para lhe desenharem no espelho.
porque é noite na precisão de vênus.
e no escuro o desejo é imensurável.
como essa ardência da lírica de vênus.
como todo deus.
mas à luz,
cantarão os suculentos sonhos da forma de vênus para não descobrirem-na deserta?
o derrame das espumas de vênus é um grito que se ausenta.
Segunda-feira, Janeiro 21, 2008
cinemascope brilhante I
foi mirando a ostentosa com um paladar indiscreto e direto à palestra:
- mas que vontade é esta?
apontou a maçã.
- agora ela é demasiada tardia. te provarei somente amanhã.
a continuidade do enredo não era um fato, ele sabia.
mas coloriu o segredo e se referiu ao próximo ato.
cinemascope brilhante II
e o rio
o tempo
se refletiu em outro instante
o brilho
arrastou sua vertigem para adiante
a maçã
insistiu um abraço de copa
e a manhã foi uma mordida precipitada.
cinemascope brilhante III
onde jaz uma dúvida.
remota dúvida.
- agora provada irá ter com o mundo e o eterno?
cinemascope brilhante IV
a escolha é a perda de algumas delas
que sejam as vísceras, a torre, os olhos ou os sonhos...
os dedos para contar e os lados para medir
foi a esta qualquer intenção que o diamante se deixou debilitar
não permitia ao corpo a emancipação do seu costume
e nem à intuição a rebeldia do seu sangue
paciência...
eram quatro ventos que lhe sopravam a mesma tentação,
porém cada qual em distinta direção.
cinemascope brilhante V
ela o sente como o vento que bate a porta...
cinemascope brilhante VI
cansada, ela contempla pela janela um tempo para a monotonia, a séculos de altura, vivenciando sempre a mesma paisagem, a daquele amor sem idade e nem consumo. quase acredita em um seguinte capítulo, talvez o de descer ao futuro onde encontraria o solo para os pés descansar, mas lá do alto pensa no céu, onde sua nostalgia parece mais genuína e a remete às imagens que subliminarmente tingem seus pensamentos quanto aos antigos capítulos.
cinemascope brilhante VII
no escuro, ela se espera sozinha, tateando o frio comprimento dos seus pêlos em espanto. nada lhe é mais visível do que a sensação que se causa agora, nem há outra graça além dessa nitidez tátil. ela, então, devora aqueles olhos para não esquecer o caminho que fizera até ali e se perde numa paz ensurdecedora.
logo, o cansaço a envolve para temperar a noite cúmplice que se adia, abotoando-lhe as densas pálpebras e conduzindo-a a silhueta de um sonho...
cinemascope brilhante 8
fugir do tempo era perpetuarem-se náufragos, unidos por uma memória imprópria, e a inexistência pôde enfim tornar-se real, como a madrugada púrpura que nunca houvera. mas aquela simbiose ofegante, das vontades dos amantes, poetava-lhes os segundos seculares de que careciam.
ainda o faz...
Domingo, Janeiro 20, 2008
"onde morre a poesia?"
onde é só invenção...
cântico sem data VI
o que já é concreto,
viabilizar a impossibilidade
de ser o que já é...
cântico sem data V
É a vista que se turva para que outros reflexos me sejam favoráveis
Ainda reconheço as formas à minha frente
Mas onde estarei agora pincelando horas que me convém?
Percebi que o tempo não está ao meu lado
Foi este vento que bateu
E que ainda balança os pingentes de metal...
balança... balança...
cântico sem data IV
tal qual fosse de papel e se borrasse com a ponta de idéia que se repete
um sonho de tédio!
sinto mesmo,
ainda desperta torno a usá-lo como esboço...
cântico sem data III
confia o peito sobre a pedra irredutível e impalpável
do gozo ao desgosto
da rocha muda e perpétua
que confinada sob a carne omissa
aguarda a erosão de um segredo
cântico sem data I
é o vento que os traz e logo os leva em retorno
instante de imperfeição
assim é como me parece a felicidade.
Terça-feira, Agosto 14, 2007
cinemascope brilhante IX
Sexta-feira, Agosto 03, 2007
cinemascope brilhante X
é uma ladeira, uma madrugada
parada, atravessando uma cardinale
com a flor presa à orelha
um plongé de paralelepípedo
uma subliminar de estrela
Domingo, Dezembro 10, 2006
dissimula-se o que dizem os olhos
Terça-feira, Novembro 28, 2006
acerto da impossibilidade...
amanhã nem se lembrará porque existiu
é demasiado tarde quando as palavras são audíveis
o tempo regenera a cicatriz do lamento
porque o tempo arde ao som da intenção
à meia luz todos os corpos são iguais
e todas as manhãs com as horas se tornam tarde
as cores arrastam as sombras pelo chão
ontem parece hoje
tudo permanece igual e nada parece igual
e com um pouco de imaginação é parida a resposta para o desatino
é melhor ferir do que remediar
é melhor chorar do que premeditar
só me preocupa aquele silêncio de pedra
porquanto ela se quebra e sangra qualquer coisa que não seja minha
lateja por outros dizeres
já não os sinto, não os lembro mais...
Terça-feira, Novembro 21, 2006
sobre a sonoridade do tempo
Quinta-feira, Novembro 02, 2006
composição da pressa
pelas manhãs em que não verso com o teu domínio
sobre os meus sonhos, as minhas agudas poesias
mas silenciosas
porque
grito sob as paredes do meu corpo
o meu torpor imaculado
a sangria, a ventania de uma voz
sólida, acesa e mascarada
a tatuagem em branco
na pele que se resseca esperando
a chuva da tua calma
e a abundancia do teu zelo pela minha.
Sábado, Outubro 28, 2006
ideando
Domingo, Julho 02, 2006
o sorriso da fotografia
clamando a frágil inocência
de sermos efêmeros e equidistantes do fim
esta noite não chove...
na calma dos seus vapores, ele pensa na chuva que não cai e me oferece uma xícara de chá
agradecida sou, hei de evaporar um pouco desta noite para amanhã
assim o bule me conforta, me remete ao cheiro de terra molhada,
mas seca que estou reflito o céu estrelado e insone do inverno.
rio de janeiro, 30 de junho de 2006.
às doses das dores, que se encarnam indóceis repentinamente nas mãos da paisagem anterior
e tudo que sucede é a invenção, é a suposição replicando ao cansaço a enfermidade do sono,
a hipnose da morte, é a surdez que tateia a própria voz
e parte do que procuro não é normal, nem se conjuga, porque desse mundo só faço abrir o regresso
nada de novo contenta-me a palavra, porque o mundo me devolve ao tempo em que parti
e dali em diante eu já sabia o que meus olhos veêm agora.
Sexta-feira, Junho 30, 2006
ópera centenária ou inventário
deveria me perder antes, mas tarde agora da hora me absolvo das circunstâncias ressonantes. era assim que eu poderia me despir, de nada e um pouco tudo... pois só consigo esconder o que sou.
Quinta-feira, Junho 29, 2006
ao fim da noite...
Segunda-feira, Abril 24, 2006
III
Sexta-feira, Abril 21, 2006
II
eu não. com meus pés pro ar.
Terça-feira, Abril 18, 2006
uma razão, uma alusão
não conto mais com as incertezas
quero também um sonho alheio
que me transforme em outro desejo
sem espera
sem demora
só com as palavras para brincar
não é isso que fazem todos?
Segunda-feira, Abril 03, 2006
fingindo não notar...
não quereis mais um pouco?
pegueis mais
fiqueis a vontade, deleiteis-vos com o alheio!
pois nada vem ao caso e nem com descaso
são só ventos sem propósito, mudos e fora de hora.
que nunca nada mudaram
e não tem em mim qualquer presença
da máscara que peca o riso
da queda que pranteia o rio, desde um amigo para outro
que se faz custear
a promessa das vontades de março
que se resolve na perda dos olhos de quem me procura
e que abstrai o paladar da língua dos sonhos.
tornastes o escuro daquela palavra
mas agora é ela quem grita
e está de partida como todos
que vem vão e parecem nem lembrar-se das honras.
Sexta-feira, Janeiro 27, 2006
atômico platônico
não se procura uma desesperança...
duvidosas pontes
desconjuntadas
sou um grande inverso
imerso
camuflada
miniatura
da face assimétrica
em composição
improvável
de jeito consentido
contido desentendimento
austral
hexagonal
natural
nada em acompanhamento
vão
domingo viscoso
descentral
sobre-continental
desconcentro
desconserto
descontento
em termos infernais
atemporais
subespaciais
interferindo-me em
tentador
abrasador
toque de fuligem
morta
porta
fechada
22.12.2002
Quinta-feira, Setembro 29, 2005
entreato
e descubro-me em um papel para esta noite
sem face e figurino
num cenário instrumental
um monólogo sem platéia
instrumental
tentando aquecer o espírito que tanto pede
abrigo ou pronunciação
não é a espera da réplica
é algum gesto que se assemelhe ao silêncio
desejado não ter-se manifestado
Terça-feira, Setembro 20, 2005
lamento da confeiteira
porque nela também há o amargo
o amargo da sede
do calor
da vontade de tornar-se mais doce
como o vício que perdura
embora inunde agrados
sabe-se que um dia ela finda
e neste dia há de se deixar de acreditar.
Terça-feira, Agosto 16, 2005
contratempo
dúbia sonata desconsertada
para dentro palmatória, fora, flora
gritando em disparada o lugar adormecido
e a busca do verso desesperado.
Segunda-feira, Agosto 15, 2005
o semblante do céu e o precipício de ânimus
te soletro na calma com que minh’alma te expulsa,
esta mácula de passagem
pelos polígonos da vertigem-fé.
te abdico com o alento das quimeras
fiando o passo no retorno
ao termo de onde partimos
efeito de que éramos imunes.
mas os versos antagônicos
sempre retalharão
algo de plácido,
razoáveis espécies de analogia,
obstruindo o peito,
que incinerará
a vaidade das noites em sigilo,
porque
de joelhos conjuras o teu íntimo
à pálida fala do teu amor...
Quinta-feira, Agosto 04, 2005
menos a lua
quem nunca ventou assim
o espaço entre as frentes
é colocado de lado na noite vazia
uma vez a mulher me disse
há de esquecer o que for enterrado
eu ouvi
embaixo de si não se julga por inteiro
é quase um objeto quebrado
essa música de todas as vozes
esse poder de estátua
fonte das coloridas águas desnecessárias
dão sorte quando chove outras coisas
e é esparramado o que não é esperado
quem disse sobre o nunca
pode sentar-se e aguardar.
já os cabelos crescem ao contrário
desde que voltamos no tempo.
Terça-feira, Agosto 02, 2005
Sábado, Julho 02, 2005
pedágio para as alturas
e não mais se encontram. procuram a volta e bastam de absurdos anseios. as criaturas somente inundam o que pretendem quando depressa se alcançam em permanência.
descuidado
onde as palavras desconhecem um tempo
quando o inconfessável ignora o silêncio
em torno do gesto que te pede não.
de óculos escuros ou outro biombo fantástico
é tarde quando me escondo e noite quando recordo...
Domingo, Junho 19, 2005
argumento que se posterga
Sexta-feira, Abril 08, 2005
enarmônicos por assim soar
e deste invés de real nos acalentamos por silenciosas induções
cada um com seus assertos eternos e efêmeros
até que se conjuguem outros dias de amar.
Sexta-feira, Abril 01, 2005
de mosaico em mosaico...
é tolice minha prestar os dias ao destino se o próprio se lança com uma atenção peculiar, visando com os olhos quietos à vontade da sorte. e que se vai se desdobrando em tantos acenos imprevistos. e que em imprecisão toca os rumos sem escreve-los. desde que os vivendo, harmonizando contrates ou desconcentrando eventos compatíveis.
meus sentidos têm de ficar atentos, pois as superfícies oscilam conforme a qualidade do tempo e os canais sinalizam entradas e bandeiras desde o umbral de cada passagem.
Quarta-feira, Março 30, 2005
durante suspenso
é tocar a espera, de leve e recuo
inclinando o dia para transbordar a noite
feita quimera de si mesma
para digerir o que demora, prolonga
e tempera o interstício
é povoar o tempo de abstração
à esfera de ser resignada
por inventar o vindouro desejado
que lhe coubera ao instante.
cosmogônica
e sequer sabia de sua existência
mas levantava aqueles cabelos para contempla-lo
ali rente à raiz da existência dela
a musa no escuro
perpetuando
ele invisível
Segunda-feira, Março 28, 2005
imitando qualquer um que eu conheça
penetrando qualquer lugar que eu vá
Quinta-feira, Março 24, 2005
intuyendo te percibo...
Quarta-feira, Março 16, 2005
à deriva entre os vãos da pauta de outrora
e não recordo as fontes de percepção para poder fazer deste pensamento um relato que se concilie com a realidade, pois nada retenho de real senso.
quero o que me faça reparar neste incompossível conceito que aflora em algum canto em mim descompassado, mesmo que fosse de desconhecido instrumento para poder absorver o que me é ignorado.
Sexta-feira, Março 04, 2005
derradeiro expurgar
o que acontecia de fato era o possível alarde que de a segurança dos desejos fosse a mais temível conjectura entre a vida e a morte, e assim, como a pele teme o ferrão da solidão, perdi a vontade da loucura e segui a rua noite adentro para encontrar a esquina em que nos deparamos com a certeza. era clara e convincente. que me agarrou numa suspensa ironia, a de suportar o que me é bem vindo e também desconhecido, a partir de provável acerto, a vida se renovando, a loucura mudando de cor e nome, avistei a breve relação das coisas em mim. pois estive procurando resgatar as noções que aprendi em outrora e que em nada obtive resposta, devido à impaciência da opressora cartada que me trouxera os últimos anos. não havia dúvida de que aquilo fosse a última oportunidade de tranqüilizar os demônios já prescritos em minh’alma e descobertos pela insistência das noites de insônia na encoberta cidade de destruição. um dia deveria partir dali, e assim o fiz, de forma tangente, sem alguém perceber. e logo que prestei atenção estava envolvida numa terra inteira das pessoas que se entretinham, ou que demasiadamente se expunham, mas que de certo ângulo fossem todas uma só, em detrimento de um mesmo sonho, o da liberdade que é o destino dos caracteres na história contínua. um grito de feliz agrado.
Quinta-feira, Março 03, 2005
possível amor...
Sábado, Fevereiro 26, 2005
Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005
fragmentista enquanto inteira
acorda e pensa. qual foi a fonte de toda essa fantasia? resume-se à vida que queres ter? desconheço a fôrma que te esculpiu para longe e a essa conduta de te desprender. todo mundo vê, mas ninguém acredita que do cheiro teu sobrará outra fantasia, a do acaso e repetidamente se faz a tua ausência. pois te atropelam por demasiada falta de interesse e o que te pensam não existir está ocorrendo em rápida resolução. verdades virtuais são de grande valia quando a natureza dilui-se em sonho.
assim existo como duas, uma que recebe da outra que dá. troco diferentes sentimentos comigo, à noite enquanto durmo, de dia quando dispenso a ilusão. há um remanejo de existência em cada instante que torno infindo. volto a pensar na condição da fonte, inspiração do espelho, que a tudo oculta senão deforma. e grito só amanhã!
não quero esquecer. de todo o resto eu peço permissão para ludibriar-me quanto a este choro. penso em cantar sozinha um trecho do meu eco.
é tanta poeira que as frases em lá se tornam indecisas quanto o sorriso em si... os abraços, na realidade, são de mágica convicção e nenhuma decisão precipitada irá se adequar em dó.
existem verdades dissolvidas entre raciocínios dispersos que mal eu as reconheço... insaciável desejo meu de expressar o que não sei...
Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
imperceptível
ai, mundo meu, reconheças a mim que tão logo já perco o enredo e a concordância!
Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005
eu desconfio dos cabelos longos
Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
inverso do avesso
espelho, espelho teu
entre as horas do moinho
cara: ligo a vitrola e me ponho a escrever sobre coisas que passeiam pela incompreensão, pois acordo o dia com estranhas questões, vindas tão óbvias pela língua invisível do vento. às vezes, não reconheço a outra língua que responde um conhecimento que me é fora de alcance. torno a jogar com a sorte, uma vez que ninguém fala do vento. esconde, afasta e contorna, e torna...
coroa: ela não diz a verdade, é verdade, tampouco acredita que eu acredite nisso, mas finge como finjo que está tudo bem. logo, não restam dúvidas...
Sábado, Janeiro 29, 2005
orvalho ou vício de sereno
ela veio molhada do dia que se prostrou monótono com o silêncio das águas caindo, passando, umedecendo os caminhos de pedra e encharcando a terra dos anuros. que como cantam nesta noite! e manifestam-se em cada quintal da rua da linda vista. que de vista é linda deveras... a aleatoriedade dos pinguinhos dourados são postes de luz da velha cidade, sobre o preto desta noite inspirando estrelas ao chão. ai...é um universo de pernas para o ar, embora não seja um equívoco estar assim. a noite preserva a frescura do que se pensa ou é sentido. torna-se objeto de contemplação e desliza entre os reflexos da atenção apaixonada ao se imaginar tocando-o, envolvida na melodia quase inaudível de um cão que ladra ao longe a outro solitário de lá, de um carro que sobe manso uma ladeira esquecida, e de um pássaro insone a clamar nossa existência febril. os pingentes e os sapos são os trovadores por excelência do vento e da chuva a me atravessar as horas preenchidas de extensas constatações.
assistir a esta noite conta como um acaso imprescindível que tranqüiliza as vontades dos deuses e resplandece nos corações inquietos.
ao passo do crepúsculo
e de vapores eu sinto saudades. e de saudades esqueço a que vim.
no entanto, não preciso emergenciar as minhas desculpas, elas estão em prazo de validade. como o mel que avança em minha direção e nada adoça o dia.
e de dias dispenso a chuva, agora a noite é que me acalenta das romarias internas...
adjunto mais que perfeito jazendo em seu leito, o corpo do beijo
Sexta-feira, Janeiro 28, 2005
um chamado, cenas em lápis de corpo
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
à minha direita está sírius...
antes tarde do que antes
hoje sonhei com uma casa enorme, construída sobre outra pequena, esta minha conhecida já. me encontrei em vista para o mar, mas que mar era este que não existia então? e as pessoas, como felizes eram! não há nada de errado em ser em sonho o que não se percebe em realidade. e isso se faz sem mesmo querer. aquelas pessoas existem, ao menos. e a felicidade se encontra, num devaneio de casa ou de mar, escondida ou correndo para não atrapalhar os de passagem por aí ou acolá, preocupados em não atrapalha-la também.
pronto, eu não podia mais atrasar estas palavras...
Segunda-feira, Janeiro 17, 2005
barroco até no existir
não se esqueça de me lembrar
amanhã. amanhã vai ser diferente, acredita? só vendo.
Sexta-feira, Janeiro 14, 2005
litorânea
era a primeira noite carioca que dela tomava conta, a envolvia com seus abraços calorosos. uma primeira impressão lhe escorria a face, um cheiro de mar assoprado de novidade nostálgica. esteve a mirar esta condição e achou estar próxima da procurada. foi um alívio imediato, e uma esperança que não tinha limite; assim constou num papel.
nunca havia galopado e na manhã anterior montou no cavalo pela primeira vez.
nunca também usara tantos “v”s num parágrafo como neste.
biombo fantástico
era de praxe que se olhasse no espelho e visse uma dama sóbria de longo cabelo negro penteado, ao contrário de entender porque chegava cedo da manhã, com a maquiagem derretida pelo suor da embriaguez. até uma mosca emaranhava-se nos seus fios de cabelo que arrastavam toda a agonia que pendia de sua cabeça, vítima dela mesma.
lutava para não enxergar o óbvio, mentia para os próximos... sim, está tudo bem, hoje eu vou ser feliz... mas dentro de seu coração ferviam a insegurança e o desespero de sempre. de não ser amada, estar só e morrer de sede e fome em algum canto do mundo.
Terça-feira, Novembro 30, 2004
saga acéptica
não há terceira pessoa
contato sob entrelinhas
Terça-feira, Novembro 09, 2004
diamante amante do dia
a janela permaneceu aberta enquanto dormia e às nove em ponto percebera que o sol batia em sua estante de livros.
Segunda-feira, Novembro 01, 2004
vislumbre ativo de um corpo em repouso
as madrugadas já não me servem mais, somente esta que me espera adiante.






