sexta-feira, março 13, 2009
segunda-feira, março 09, 2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
esta noite não chove... II
indagando e repetindo seus traços entrecortados pela rachadura.
por que esta espera tem um gosto tão doce?
terça-feira, fevereiro 24, 2009
persefonificando

a sorte me espanta os nomes,
nomes que se dão às coisas cabíveis ao sentido humano,
às coisas que deveriam participar dos dias,
ainda que bem no íntimo.
mas em toda e qualquer medida, eu não me encaixo,
mesmo contando ser privilegiada pelos sangues azuis e retóricas finas,
sublime como o nascimento da deusa ou o delírio do diabo.
diferente,
como no silêncio, a vontade se
parafraseia e eu me calo
doente de amor.
remedio o veneno
com a introspecção.
nem a mim destranco a porta.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
baile dos simulacros
o sonho soava uma promessa...
mas, eu, entidade desperta, como quem padece da memória, desfiz-me à aurora, logo surpreendida pelas tuas inexistências.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
lua em vênus

evoco a tua face até me constar divergida da realidade, como se me tocasse um sentimento alheio por me interceptar: não pise por onde não há caminho! e os sapatos novamente se vão. descalça percorro eu toda a senda por um fio de equilíbrio, alada em vigílias que me carregam para longe de um corpo, desatento, que grita o teu nome... caso fosses tu o movimento que me faltasse àquele corpo... ao relento, ao entorpecido fato de existir às vezes, quando se espera ao menos um sorriso, uma simpatia do acaso.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
sábado, novembro 15, 2008
idade do amor lascado

uma mala na porta e o mundo tal o que éramos
antes das velas nacaradas de junho, antes do real maravilhoso,
antes mesmo das religiões e dos blues cósmicos!
era de pedra que alimentávamos nossos ócios
sem saber nos existir
sem contar dias de bombons de uma fada doméstica
naquele tempo em que não se forjava poesias em improviso
quando mãos e olhos eram ainda de menina
e o cigarro era um prazer solitário
enquanto as manhãs virgens e claras
se dividiam entre os paralelepípedos prateados e uma árvore desconhecida.
ainda os renascentistas pintavam uma baía de sempre,
uma ladeira santa era paisagem para os planos de sol,
os amores eram rebentos balbuciando na varanda
e as madrugadas pertenciam somente às bruxas
depois,
nenhuma correspondência do além-mar inspirou cócegas
e nem chá com camofas se tomou
porque não se falava em voz baixa
e nem se tinha medo do medo
mas...
como nos tornamos metais, a mala na porta
significa que não nos amaremos mais!
quinta-feira, novembro 13, 2008
minerva de pecado (ou solo de um eco)
catavas as saudades e outras poesias entre as horas que te penetravam... mas havia o termo exato para que te confundisse contigo mesma.
foste achar a memória da lógica, contas de subtração na adolescência.
risos deste de nervoso, minerva, cheia de espinhos na consciência.
orientes psicossomáticos vinham a te chamar uma atenção.
pediste silêncio aos teus passos; caíram na sombra da ciência todos os frutos de tanto te elucubrar.
escutou-se o pulsar da imaginação (segredo) em preto e branco, eram contrastes em outra língua.
por um instante, minerva, sentiste encontrar a saída, mas o teu labirinto já se multiplicava...
comum destino este de vagar por estranhas entrelinhas nas quais não se é permitido perscrutar.
terça-feira, outubro 14, 2008
dama de caos
quinta-feira, outubro 02, 2008
teias tecem aranhas tais
domingo, setembro 28, 2008
fala
o que os olhos ardem, o espírito palpita em horas claras, assim que ofuscam qualquer clareza que lhe seja imprescindível. às vezes, sinto chorar em mim o quebrar do tempo em coisas passadas que não mais se fazem sentido; faz-se, por conseguinte, um derramar de memórias anônimas. esqueço até o que virá acontecer quando assim me reverbero num ponto de fuga caleidoscópico, sem fresta, nem aresta. o pôr da lua, se não chega a ser um parto de dor, quase se perpetua num contrato de cegos, acorrentados uns aos outros, trazendo instantes de não se sabe onde para não se sabe quando. mas isso é inerente a todos que não sabem o que fazer com os ponteiros insones.
quinta-feira, setembro 18, 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2003
a noite que chovia molhou o mundo inteiro, saí ao frio para aliviar minha sede. ouvia-se o som da capoeira na rua em que moravas. sentei-me à porta e desviei a atenção para o cachorro uivando de saudades de quê. o tempo se cansava e afastei-me de mim, corri sem voltar os olhos, o chão ia desaparecendo enquanto eu caía no profundo corpo. tua janela sempre aberta se fechou para o cachorro uivando de saudades minhas. eram o tempo e os olhos do cão. tentei me secar, mas ainda me retém a umidade de tudo.
durante a sessão, ele pensou que nunca mais voltaria àquele cinema, nem mais assistir aos filmes que também passavam ali. faria greve das vontades do mundo, o fim da graça daqueles anos mudados pelos girassóis que distribuía entre os amigos. depois pensou em arrumar as malas e contar as montanhas que encontrasse pela estrada, voltando para o lugar que jamais teria novamente. não teria o mesmo sabor, e o tédio o dominaria sem preguiça. a lua é a mesma, enfim, teria a paisagem da janela de sempre.
quarta-feira, setembro 03, 2008
Delírio Náufrago
instantâneo instintivo
peculiar náufrago
malogrado perder-se espontâneo narciso
inspirar enamorar-se
desenho náufrago
vida exterior
impulso imerso líquido
percorrer atmosfera
espaço cósmico
cortante náufrago
quando existe irreversível
escuro espectro
devanear-se fantástico
fato fábula
mito náufrago
inebriar-se singular
calar-se face serpente
remoto náufrago músculo
inefável fluido
diáfano ruído
derramar-se peixe
oscilar-se ósculo
maleável denso
desterro temporário
oriente náufrago
oráculo ermo
sombrio áspero
vestígio náufrago
radiante efêmera
a duração do silêncio
o espaço entre linhas escritas
inolvidável devorar
insaciável vazante
delírio náufrago
(Daya Gibeli/Camila Marquez)
domingo, agosto 31, 2008
um aceno de quem fica
domingo, agosto 24, 2008
poema de desintenção
eu, sensação de maçã
coincido com a invasão de amanhã
jugulada numa trança de auroras
terça-feira, agosto 05, 2008
domingo, 03 de agosto de 2003
que desejo de domingo expectorante para aliviar as expectativas dos dias de simulada libertação. talvez eu precise soltar os cabelos, tirar os sapatos e cantar uma música que fale alto aos ouvidos desatenciosos deste rumo em que vou me atualizando. basta de pensar suposições, os acontecimentos vêm, assim, inesperados, e nada adianta esperar por aqueles anseios sem nexo, a verdade é transitória, nada será como está agora... enfim, chegara o mês para os cachorros invadirem nosso cotidiano aos gritos e ventanias. cuidaremos por não enlouquecermos também.
quinta-feira, julho 31, 2008
domingo, 13 de julho de 2003
daria ao tolos um sensato castigo!
salve a Mãe que tudo pariu!
que Ela ainda esteja no meio de nós...
quarta-feira, julho 30, 2008
sábado, 05 de julho de 2003
ainda penso se existimos para lidar com as lembranças das tardes frias de julho com esta nostalgia impreterível.
nada além do meu desejo anti-horário...





