ENTREATO - E não era sequer uma luxúria de amor from floratomo on Vimeo.
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
ENTREATO - E não era sequer uma luxúria de amor
quarta-feira, janeiro 05, 2011
black is black
a chuva apertou naquele fim de noite e mundo, e ele contendo a ansiedade, tirou do bolso um cigarro avulso, acendeu mesmo assim, que molhasse, que não a encontrasse, depois que perdeu a cabeça e a hora, palavras são qualquer coisa que se faz desapercebida depois de certo tempo, mas ela não esquece, nem quer esquecer, há cada momento a voz rouca lhe pronuncia na mente, implorando de joelhos para que ela o ame ou vá embora, e nenhuma das duas coisas, ela não o amava e nem ia embora, ela queria calma, outra tatuagem no corpo, quando fizesse 33 anos. a noite é outra dessas coisas que se desfazem com o tempo, um pedaço de madrugada, as fotografias eram fiéis, black is black, e qualquer tentativa de amarrar essa mulher em sua vida era revelando o que mais do seu corpo na sua câmara escura avermelhada. agora. antes que o negativo amanhecesse. quero paz nos olhos de quem me espreita veludo. e os olhos já cravados no corpo dela era dimensão.
*foto de jacquelinne goddard por man ray, 1930
sexta-feira, dezembro 17, 2010
A peste
E ela fechou a janela para os morcegos não entrarem, porque nessas noites de verão a peste teima em entrar por qualquer brecha na sua vida. Sentou-se na mesa, os pés na cadeira e chamou por aquele que não se encontrava no quarto. Uma drosophila, no chão, parecia uma estrela, quase a confundiu com uma lantejoula que não brilhava. Pensou em colar estrelas nos cabelos, banhar-se de nebulosas se ainda pudesse. Porque em horas como essa, lembrava-se do que há do outro lado da janela fechada, ali o céu sempre estava ao seu alcance, quando deitada na cama encarava a lua, sua sereia apaixonada. E esperava o telefone tocar, como tocava aquele corpo seu livre da peste. Tocava sem sentir. Sem manusear, com as mãos ocupadas dos objetos pensativos, o telefone, a chave e a música que a contasse outra história. Em vão. Negaria se se perguntasse, mas em menos de meia hora já estaria do outro lado, na força de uma corrente, incoerente, fora da casa e de si.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Amor é irreversível.
Prendi-me à estética do princípio, no meu cinema. Mudo. Distraído. Agora furioso de palavra sem significado. Sensação de que tudo não passa de um ensaio para a existência que nunca chega. Em oito segundos acaba a eternidade.
sábado, outubro 23, 2010
le premiere bonheur de ma vie
no sonho, minha amiga e eu estávamos numa cidade labiríntica, diante de um longuíssimo mausoléu, talvez o cemitério mais antigo e maior do mundo, da história. espécie de egito na américa latina, méxico, machu pichu. mas outro lugar. a grécia. viagem do nosso imaginário. era noite. em casas simples e flores nos seus terraços. eu menstruava. em outra ocasião. alguém falava enquanto dormia, suspirava, murmurava o que não pode ser lembrado depois. na língua do imaginário. mas não me atenho ao sono alheio enquanto o meu ressoa bravo e patente. porque ele estava lá, le premiere bonheur de ma vie. no sonho. pedindo para que eu lhe dê uma forma. mas me recordo somente dos olhos dele virados para os meus. num sorriso de bom dia, princesa e suco de laranja. descubro, acordada, que o sonho é mais antigo que a cidade. e que o labirinto é o tempo. escorre para baixo o bendito tempo e ele diz que não habito mais o meu corpo, pois aquele já é outro.
sexta-feira, setembro 03, 2010
minha autoria
ela está matando o tempo com o amor alheio, vestida de veludo e céu para que as canções de sua cabeça sejam de um outro intérprete.
ela está matando o amor com o tempo alheio, despida de veludo e céu para que as canções de um outro intérprete sejam cravadas em sua cabeça.
ela está matando o céu com a canção alheia, encarcerada de veludo e amor para que o tempo devotado de sua cabeça seja de um outro intérprete.
ela está matando a canção com o céu alheio, liberta de veludo e tempo para que o amor descrente de seu intérprete seja de outra cabeça.
ela está matando o intérprete.
domingo, agosto 08, 2010
patrimônio#macondofeelings
porque ela nasceu, ele fez o mesmo. o pai dividia os seios da mãe com a menina nas noites de chuva, umidade relativa do ar 68%. quando não havia leite, ele cantava, e assim aprendiam a língua juntos. depois dos primeiros passos apontavam as estrelas no céu descobrindo seus nomes. Escorpião e Capricórnio. não havia outra infância tão antiga como a deles, quase perpétua nas tardes do parque de Shangrilá e nos saltos de Ícaro nas águas do aquário do grande peixe. e não havia músicas mais bonitas que as deles. não foram à mesma escola. o melhor professor era a imaginação, uma memória ancestral em comum. os dedos da menina com guache descreviam o que era sensação; os dele, com carvão, desenhavam o que amavam. o que ambos sentiam era a melhor forma de prestarem atenção no mundo, porque de impressão eles entendiam. textura de manhã, cor de água, som de mãe, sabor de dó. mas tão pequenos que eles eram, os olhos não lhes cabiam, por isso se perderam cada qual em seu jeito de procurar a pronuncia dos seus limites. e apesar de terem a mesma idade, o termo do tempo deu ao pai o cansaço da noite, e à menina o sangue apressado e inquieto das auroras insones. palavras a menos ou dores a mais lhos tornaram irmãos distantes, vontade de um pai mitológico que só os juntavam nas horas infantis, um passeio longo entre avenidas, pipocas temperadas com manteiga quando todos já dormiam, ou as teorias das origens dos significados. a imagem dos sentidos foi dando lugar à imagem dos sonhos de espera, um dia o pai disse à menina que acenderia um cigarro para que o ônibus chegasse mais depressa, e ela assim também o fez. o mundo teve que se desfazer de tantos trajetos para que depois que o ônibus os levasse, os trouxesse de volta, mas para um tempo quando o pai de barbas grisalhas escutasse atentamente com a filha de mãos secas o pôr do sol lhes contar que aqueles significados nasceram com eles. vamos tomar sorvete!
terça-feira, agosto 03, 2010
memória#macondofeelings
na casa dos avós não se ouvia um barulho que não fosse o do vento. os olhos de menina atenta procuravam o caminho que o fenômeno seguia, a rede do terraço balançava sozinha, o teto estralava em suas telhas firmes e qualquer porta mesmo fechada insistia em soar ser tocada. ela sabia que cresceria para entender o que faz tanto barulho, mas não se mostra, deveria ser maior do que ela, ou estar tão perto dela e por isso, então, invisível, como o dedo na ponta do nariz que ela não enxergava, mas sabia que lá estava. e se esse vento balançasse os seus cabelos, ela tinha arrepio... não é que o danado atravessava seu corpo e a sensação não era ruim! sorte minha que ele gosta de mim.
segunda-feira, agosto 02, 2010
segredo#macondofeelings
ela percebia tudo por uma janela mais ou menos real. a que permitia através ler e reler os lábios mudos da irmã mais nova. escondia-se por uma questão de tempo, talvez alguns meses de distância, e ainda talvez o dia mais próximo da cena inviável que presenciara. e aqueles lábios lá estavam entrecortando outros, que sabiam ser translúcidos, resolutos de uma língua particular, mas tão clara e pública que suporia ser sentença própria, saindo miraculosamente de sua cabeça. ela tinha a exata definição do que diziam naquele silêncio patético, na mira meticulosa de sua leitura faziam mais barulho quanto traíam a sua natureza. a mesma de se permitirem levianos, e de trazerem consigo o segredo dos meses até ela, a mulher dos olhos de um acaso em frente de uma janela mais ou menos real.
reencontro#macondofeelings
quando mirava o espelho e via outro rosto que não o seu, preocupava-se com o que as pessoas iriam dizer ao vê-la fora daquele quarto. nem mesmo a música do Dylan a faria crer que aquela outra no espelho fosse ela própria, mas de outro ângulo. só se fosse à perspectiva dos ponteiros do relógio que andam ao inverso. quando o tempo passa dificilmente se é a mesma. mas tentou ser a outra. mais uma vez tinha fugido mesmo, que mal havia de fantasiar que hoje era ontem? e não era uma fuga singela, era a fuga da fuga! da cidade para a aldeia, da aldeia para a cidade novamente, mas ali não deveria permanecer, assim que o sol acordasse os outros de lá, teria que ser mais rápida e fugir pela terceira vez! tinha consigo tantas chaves alheias que contavam mais que as suas. nenhuma. ainda bem que não estava nisso sozinha, o seu cúmplice era o desejo de querer ter o desejo de não estar sozinha. e ele estava lá com ela. e era visível também pelo espelho, sobre ela, dentro dela, oscilante e envolvente, como uma onda que arrasta e devolve o corpo para a praia. e se este desejo fosse mais agressivo, imprevisível, ela não teria que pensar sobre, a coisa andaria pelas próprias condições, porque ou se deixaria levar ou acabaria tombando entre as espumas da água do mar em ressaca. não admirava muito, mas concordava, sempre funcionava melhor sob pressão, que fosse sob mil atmosferas, ela não teria que pensar sobre. no dia seguinte, com as frestas de luz, acordou e viu ao lado o desejo ainda relutante, e de tanto fantasiar ser a outra, já a estava sendo. mas se fazendo companhia. na aldeia nada disseram à sua falta, forasteira que era, mas sentiram que ela voltou sem aquela com quem de lá saiu. como se o desejo insistisse ao corpo deixou a próxima fuga para o dia seguinte, porque ela mesma já tinha voltado para a casa na noite anterior.
quarta-feira, julho 28, 2010
fuga#macondofeelings
seca#macondofeelings
diz a lenda que quando os amantes vigiavam a lua plena, contavam causos da ciência e da metafísica para não desconsertarem o que ali havia. eram eles vigiados por outros mais amantes, deles. objetos de curiosidade intergaláctica... que substâncias esses humanos passionais costumam liberar quando fingem amar? dissimulavam a vida e a apoteose. ali sim escondiam o esquecimento quando tornavam mais aparente o risco da chuva que não caía. viviam de seca. rezariam se acreditassem, no entanto mais fácil era se concentrarem no limite entre o que era objetivo e o que se sentia subjetivo. ele e ela. existia ali aquele momento ou a velha lembrança. não havia tempo para os dois. algumas nuvens se apoderavam do discurso, faziam da lua um lugar mais distante, às vezes, quando percebiam o porque de estarem ali, os dois amantes, ela em sua parede, dizia ele, e ele em seu sonho, queria ela dizer. mas era tempo de desanuviar. a lua falava mais alto, lá de cima observava os amantes dos amantes igualmente. e ria muito mais alto, que suas gargalhadas embriagavam, entre as penumbras e as parcas nuvens, os amantes primeiros, que já nessa altura, ou profundidade, sabiam ser objetos. primeiramente, é necessário saber se são capazes de fingir amar?
sábado, julho 24, 2010
guerra#macondofeelings
na cidade, o tempo corria assim, homeopático e custoso, e os monarcas acreditavam que transitar por aquelas passarelas figurava um desafio à gravidade, as leis naturais nunca davam conta da demanda do que o povo, oniricamente, cultivava pelas esquinas. por isso, o guerreiro, com a lança apontada para a moça dos lábios vermelhos, esperava mais que um beijo épico, mas o que lhe era prometido, a noite de luar, cuja ela havia guardado, enterrado bem longe daquela terra para outro cuidar. em véspera de lua cheia, prematuramente, as semeaduras avançavam em raízes e ramos, numa progressão fora de seu normal, e a tal da noite, cobiçada e remota, despontava já no horizonte reluzente, porém longínquo. não vês que me preteres? e a moça docilmente limpou os seus lábios vermelhos na boca do guerreiro contrariado. mesmo não sendo épico, o beijo permaneceu durante toda a guerra selado, e foram necessárias centenas de editores para montar e desmontar os sonhos da cidade para que aquelas terras não se metamorfoseassem, em noites de lua cheia, de pesadelos que os homens construíram em eras numa só lua. mas até que ela se enchesse, a véspera foi atravessada por três minutos em 1.440 quadros por segundo. o beijo foi a melhor saída para que a moça, agora dos lábios pálidos, distraísse o guerreiro e a raiz da sua noite de luar particular não fosse arrancada. por um close up, ela sentiu uma semente de arrependimento, como se tivesse com aquele selo compartilhado da luz daquela noite com o guerreiro beijado, que de súbito haveria de reavê-la, já maculada pelo ato, e não teria ilusão mais cruel para aquele homem diante dela crer na possibilidade de possuí-la como prometido. mas num majestoso plongé, a moça dos lábios pálidos tirou a semente do seu pensamento e a jogou para o alto, sumindo no quadro com um gesto apressado. entrou rapidamente pela porta de sua casa pela subjetiva do guerreiro, que montou em seu cavalo num imponente contra plongé e seguiu seu caminho pelo plano sequência de outra batalha de sonho. corta!
sexta-feira, julho 23, 2010
esboço#macondofeelings
terça-feira, julho 20, 2010
essas pessoas-gato são ocupadas em procurar e violar a noite como se afiassem as unhas nos dorsos da pelúcia amante, aquela que de hora em hora deita os olhos sobre o tempo de espera. não procura. é presa. sem pressa de ser degustada. porque essas pessoas-gato são precisas em percorrer dentre as minúcias como a amante que prefere que o sangue escorra demoradamente. todo detalhe brinda o elo que se faz mais intrínseco. nada mais perdura que a dependência entre as partes. são correspondências plausíveis de serem unas. da mesma dor de amar e morrer em demasia, gêmea das manhãs que apagam a história, e a perda é um precoce sentimento que de em reverso nasce à falta. mas as pessoas-gato são esparramadas em chão íngreme, derretem-se à luz do que sentem, permanecem rasas enquanto indecisas entre pessoa e gato. é o que acontece quando o escuro é também um suave tormento, silencioso como um sonho que segreda a vontade do estrondo.
segunda-feira, julho 05, 2010
domingo, maio 23, 2010
retenha-me
terça-feira, abril 27, 2010
em toda noite de desconcerto, eu fecho os olhos e silencio mais um século até que todas as noites se quebrem em pedaços menores. quanto mais desconserto menos perguntas estúpidas me faço. aqui fica muito obvia toda noite de discordância. quanto menos me peço menos me dou. e mais ilesa permaneço. não, mentira...
quarta-feira, março 17, 2010
domingo, fevereiro 28, 2010
pois que minha fonte concede
água que transborda crua
e leve inteireza de
prestar plena às longas
vias que parto
um sorriso raro em cada
manhã
pois que as programo infantis
eu, mulher de cera
depois das velas esboçadas em
âmbar
não pereço às luzes, nem me
desfaço à sorte
sinto em nada a perda que
faísca
corro os dedos a deitar à sombra
pois que minha pressa
não tem tempo
como a pedra de gelo no oceano
calado como minha ânsia
de faz de conta terminando
a página de um caderno
que sempre terá um espaço em
branco.
28/02/2009
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
A Casa.
A Casa do corpo pediu socorro. Letra maiúscula porque ela é própria. Propriedade devida. Bastou de jejuar. Dei-lhe alimento. Dois pratos de macarrão com molho de tomate. Já era meia noite. Enquanto eu penso, ele existe. O Corpo. Às vezes ele sente. Vontade de correspondência. Queria mimá-lo como se ele fosse meu gato de estimação. Acariciá-lo a barriga, coçar-lhe o pescoço e dar leite todas as vezes que fizesse manha. Mas sua dependência o impede de ser meu gato de estimação. Nossa relação é quase sexual, ele na sua forma animada de mulher, curvilínea e quase sedutora, e eu, amorfa consciência inteligente, contraditória e quase determinada, vivemos um embate curioso em direção a uma simbiose que nos faça única. Seria um casamento ideal se não fôssemos quase. Eu desconfio do Corpo, e ele se desmantela na minha imprudência. Em verdade, somos dois inconseqüentes. Ele e eu. Mas Eu não admito. E muitas vezes, não o admito. Preguiçoso que é, segue os mesmos passos que eu planejo. Culpo-o de não ter a minha consciência? Seria mais fácil. Descontar nele o que não posso pelos dois. Ele executa o que mando, exceto as vontades próprias, as animalescas, das quais muitas vezes me convence antes mesmo que eu as atine. Por isso desconfio dele. Não é sedução, é cópula.
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
domingo, fevereiro 14, 2010
quem emite o quê.
um hábito de se concentrar em sons. sua voz, dedos, água. parar de atuar como um grave, dar incidência a um fino ai... neste ritmo em que o sangue transborda, sentimos aquele músculo batendo em suas paredes todas as pressões intencionadas, resta uma gota baixa.
toca-se o chão, não a corda.
você ouve a que batida? o som continua adiante, nossos pés, nossos cotonetes... ninguém vai ouvir mais alto do que você. teria trazido o silêncio do surdo, mas a correnteza haveria de levar consigo qualquer incerteza, que se emudecia.
um ato sonoro perdia sua direção e meus sussurros atravessavam a janela. chegariam a afinar o atrito de outras gotas... mas não ouse a girar o botão. o problema nunca foi...
...O VOLUME.
14/12/2000
eu e o poeta
olhos pelas frases... que engraçado, achei que me olhava pelo espelho. que esperança... minha boca em seus versos ficaram como frases nos meus olhos... que perdida memória esta que haveria de não existir, a não ser pela boca alheia. a musa que não sou com a mesma nostalgia de querer inspirar bocas e línguas em nós presentes. que entusiasmo? aquele desejo não sai em cores pelas linhas; “diga-me, toca-me”, mas e as rimas? nossas silhuetas estão em suas mãos... desaparecem com a luz acesa. quem? eu e o poeta.
21/02/2001
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
era de peixes
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
chá verde
hoje, ao final da tarde, estive eu desenhando os desconhecidos ao redor, sentado à mesa do bar preferido da rua augusta. e ela era uma ruiva só, sob os óculos escuros e os fones de ouvido submerso numa rua augusta que alguém jamais descreveria. espalhou-se pela mesa, nos objetos e nos hábitos de quem está de passagem ou à espera do que não vai chegar. acendeu um cigarro de filtro amarelo e pediu o telefone do sujeito da mesa vizinha... clarice foi quem atendeu... quer-lhe encontrar, mas ela não sabe se é clarice quem espera. se estivesse mesmo naquela esquina da augusta, ela encontraria qualquer um, mas a ruiva parecia imitar seus próprios gestos, sempre como num deja-vù de tudo o que é e fez. desenhei-lhe porque ela é imperfeita, porque se reveste de uma ânsia silenciosa e tinha sobre a mesa um guarda-chuva verde. ela foi uma cena de cinema que ela mesma provavelmente escreveria, quieta em preto e branco, revelando somente as cores do seu cabelo e do guarda-chuva.
13/03/08
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
monólogo sem plateia
sexta-feira, janeiro 29, 2010
ludíbrio
quanta besteira a lua me fala, despudoradamente, ao pé do ouvido, que sou princesa sua, com a boca velada num selo, sêco o beijo; promessa de que toda sou, plena feito ela, feito as musas de cera, de mel e pólen e carne; ouvi dizer que arrancaria meu coração e o comprometeria à tempestade, de ferro e infrequentável, o vento sem medida; não sou fogo nem água, não falo nem penso. sou o silêncio desse vento só.
segunda-feira, dezembro 21, 2009
sábado, dezembro 05, 2009
sexta-feira, dezembro 04, 2009
sábado, novembro 28, 2009
sexta-feira, novembro 06, 2009
quinta-feira, outubro 08, 2009
quarta-feira, setembro 30, 2009
sábado, setembro 26, 2009
uma rosa hereditária
segunda-feira, setembro 14, 2009
vontade de noite em frança
terça-feira, setembro 01, 2009
abstinência
terça-feira, agosto 18, 2009
segunda-feira, agosto 17, 2009
i want you so bad
quarta-feira, julho 29, 2009
quinta-feira, julho 23, 2009
A língua e a bainha
sexta-feira, julho 10, 2009
sexta-feira, junho 12, 2009
um diálogo entre musos II
domingo, maio 31, 2009
sábado, maio 30, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
segunda-feira, maio 11, 2009
segunda-feira, abril 13, 2009
sexta-feira, março 13, 2009
segunda-feira, março 09, 2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
esta noite não chove... II
indagando e repetindo seus traços entrecortados pela rachadura.
por que esta espera tem um gosto tão doce?
terça-feira, fevereiro 24, 2009
persefonificando

a sorte me espanta os nomes,
nomes que se dão às coisas cabíveis ao sentido humano,
às coisas que deveriam participar dos dias,
ainda que bem no íntimo.
mas em toda e qualquer medida, eu não me encaixo,
mesmo contando ser privilegiada pelos sangues azuis e retóricas finas,
sublime como o nascimento da deusa ou o delírio do diabo.
diferente,
como no silêncio, a vontade se
parafraseia e eu me calo
doente de amor.
remedio o veneno
com a introspecção.
nem a mim destranco a porta.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
baile dos simulacros
o sonho soava uma promessa...
mas, eu, entidade desperta, como quem padece da memória, desfiz-me à aurora, logo surpreendida pelas tuas inexistências.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
lua em vênus

evoco a tua face até me constar divergida da realidade, como se me tocasse um sentimento alheio por me interceptar: não pise por onde não há caminho! e os sapatos novamente se vão. descalça percorro eu toda a senda por um fio de equilíbrio, alada em vigílias que me carregam para longe de um corpo, desatento, que grita o teu nome... caso fosses tu o movimento que me faltasse àquele corpo... ao relento, ao entorpecido fato de existir às vezes, quando se espera ao menos um sorriso, uma simpatia do acaso.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
sábado, novembro 15, 2008
idade do amor lascado

uma mala na porta e o mundo tal o que éramos
antes das velas nacaradas de junho, antes do real maravilhoso,
antes mesmo das religiões e dos blues cósmicos!
era de pedra que alimentávamos nossos ócios
sem saber nos existir
sem contar dias de bombons de uma fada doméstica
naquele tempo em que não se forjava poesias em improviso
quando mãos e olhos eram ainda de menina
e o cigarro era um prazer solitário
enquanto as manhãs virgens e claras
se dividiam entre os paralelepípedos prateados e uma árvore desconhecida.
ainda os renascentistas pintavam uma baía de sempre,
uma ladeira santa era paisagem para os planos de sol,
os amores eram rebentos balbuciando na varanda
e as madrugadas pertenciam somente às bruxas
depois,
nenhuma correspondência do além-mar inspirou cócegas
e nem chá com camofas se tomou
porque não se falava em voz baixa
e nem se tinha medo do medo
mas...
como nos tornamos metais, a mala na porta
significa que não nos amaremos mais!
quinta-feira, novembro 13, 2008
minerva de pecado (ou solo de um eco)
catavas as saudades e outras poesias entre as horas que te penetravam... mas havia o termo exato para que te confundisse contigo mesma.
foste achar a memória da lógica, contas de subtração na adolescência.
risos deste de nervoso, minerva, cheia de espinhos na consciência.
orientes psicossomáticos vinham a te chamar uma atenção.
pediste silêncio aos teus passos; caíram na sombra da ciência todos os frutos de tanto te elucubrar.
escutou-se o pulsar da imaginação (segredo) em preto e branco, eram contrastes em outra língua.
por um instante, minerva, sentiste encontrar a saída, mas o teu labirinto já se multiplicava...
comum destino este de vagar por estranhas entrelinhas nas quais não se é permitido perscrutar.
terça-feira, outubro 14, 2008
dama de caos
quinta-feira, outubro 02, 2008
teias tecem aranhas tais
domingo, setembro 28, 2008
fala
o que os olhos ardem, o espírito palpita em horas claras, assim que ofuscam qualquer clareza que lhe seja imprescindível. às vezes, sinto chorar em mim o quebrar do tempo em coisas passadas que não mais se fazem sentido; faz-se, por conseguinte, um derramar de memórias anônimas. esqueço até o que virá acontecer quando assim me reverbero num ponto de fuga caleidoscópico, sem fresta, nem aresta. o pôr da lua, se não chega a ser um parto de dor, quase se perpetua num contrato de cegos, acorrentados uns aos outros, trazendo instantes de não se sabe onde para não se sabe quando. mas isso é inerente a todos que não sabem o que fazer com os ponteiros insones.
quinta-feira, setembro 18, 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2003
a noite que chovia molhou o mundo inteiro, saí ao frio para aliviar minha sede. ouvia-se o som da capoeira na rua em que moravas. sentei-me à porta e desviei a atenção para o cachorro uivando de saudades de quê. o tempo se cansava e afastei-me de mim, corri sem voltar os olhos, o chão ia desaparecendo enquanto eu caía no profundo corpo. tua janela sempre aberta se fechou para o cachorro uivando de saudades minhas. eram o tempo e os olhos do cão. tentei me secar, mas ainda me retém a umidade de tudo.
durante a sessão, ele pensou que nunca mais voltaria àquele cinema, nem mais assistir aos filmes que também passavam ali. faria greve das vontades do mundo, o fim da graça daqueles anos mudados pelos girassóis que distribuía entre os amigos. depois pensou em arrumar as malas e contar as montanhas que encontrasse pela estrada, voltando para o lugar que jamais teria novamente. não teria o mesmo sabor, e o tédio o dominaria sem preguiça. a lua é a mesma, enfim, teria a paisagem da janela de sempre.
quarta-feira, setembro 03, 2008
Delírio Náufrago
instantâneo instintivo
peculiar náufrago
malogrado perder-se espontâneo narciso
inspirar enamorar-se
desenho náufrago
vida exterior
impulso imerso líquido
percorrer atmosfera
espaço cósmico
cortante náufrago
quando existe irreversível
escuro espectro
devanear-se fantástico
fato fábula
mito náufrago
inebriar-se singular
calar-se face serpente
remoto náufrago músculo
inefável fluido
diáfano ruído
derramar-se peixe
oscilar-se ósculo
maleável denso
desterro temporário
oriente náufrago
oráculo ermo
sombrio áspero
vestígio náufrago
radiante efêmera
a duração do silêncio
o espaço entre linhas escritas
inolvidável devorar
insaciável vazante
delírio náufrago
(Daya Gibeli/Camila Marquez)
domingo, agosto 31, 2008
um aceno de quem fica
domingo, agosto 24, 2008
poema de desintenção
eu, sensação de maçã
coincido com a invasão de amanhã
jugulada numa trança de auroras
terça-feira, agosto 05, 2008
domingo, 03 de agosto de 2003
que desejo de domingo expectorante para aliviar as expectativas dos dias de simulada libertação. talvez eu precise soltar os cabelos, tirar os sapatos e cantar uma música que fale alto aos ouvidos desatenciosos deste rumo em que vou me atualizando. basta de pensar suposições, os acontecimentos vêm, assim, inesperados, e nada adianta esperar por aqueles anseios sem nexo, a verdade é transitória, nada será como está agora... enfim, chegara o mês para os cachorros invadirem nosso cotidiano aos gritos e ventanias. cuidaremos por não enlouquecermos também.
quinta-feira, julho 31, 2008
domingo, 13 de julho de 2003
daria ao tolos um sensato castigo!
salve a Mãe que tudo pariu!
que Ela ainda esteja no meio de nós...
quarta-feira, julho 30, 2008
sábado, 05 de julho de 2003
ainda penso se existimos para lidar com as lembranças das tardes frias de julho com esta nostalgia impreterível.
nada além do meu desejo anti-horário...
sexta-feira, julho 11, 2008
terça-feira, 17 de junho de 2003
quinta-feira, julho 10, 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2003
quarta-feira, julho 09, 2008
domingo, 08 de junho de 2003
o silêncio, por vezes, é mais atento.
cuido das minhas palavras e a reciprocidade é bem vinda nestes dias de nuvens sufocantes.
por gentileza...
segunda-feira, junho 16, 2008
quinta-feira, 05 de junho de 2003
uma xícara de chá para acalmar os ruidosos dias de trabalho, por obséquio...
quinta-feira, junho 12, 2008
diálogo entre musos
inculta-me a noite
necessária aziaga de sonhos
doces que deflorem
se a gente acorda,
que durma o amor ao lado
flutuante em vigília, alado
- a minha carne parece, às vezes, fibras de metais...
- feita de metades?
(flor e pessôa)
segunda-feira, junho 09, 2008
quarta-feira, 04 de junho de 2003
segunda-feira, junho 02, 2008
domingo, 01 de junho de 2003
segunda-feira, maio 26, 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2003
sábado, maio 24, 2008
sexta-feira, 16 de maio de 2003
sexta-feira, maio 23, 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2003
sábado, fevereiro 23, 2008
paradigma da tempestade
tempo em descaracter
às vezes, encontro-me com os olhos abertos
o que quero ver é
que todo o espaço teu
não permite o mau tempo...
domingo, janeiro 27, 2008
perfume de maio
que ficou atrás de uma translúcida cortina
descosturada como aquele tempo
esquecido, pendurado num galho de pensamento desbotado
um triste lembrar amarelado
mas preciso de intenção
que deixou qualquer música gasta pela agulha
da paciência ou dos óculos depositados num livro fechado
desconcentrado
que sangrou um amor vermelho e opaco
e nenhum medicamento influiria
nenhuma outra tarde seria tão lírica
mas os dias contam em regresso para que venham outra vez
sem a tua companhia, para que nada falte
as tardes de alecrim nada estampam
nada aludem, nem inspiram
as tardes de alecrim nunca existiram
sábado, janeiro 26, 2008
na véspera da febre,
os personagens dos olhos de vênus para lhe desenharem no espelho.
porque é noite na precisão de vênus.
e no escuro o desejo é imensurável.
como essa ardência da lírica de vênus.
como todo deus.
mas à luz,
cantarão os suculentos sonhos da forma de vênus para não descobrirem-na deserta?
o derrame das espumas de vênus é um grito que se ausenta.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
cinemascope brilhante I
foi mirando a ostentosa com um paladar indiscreto e direto à palestra:
- mas que vontade é esta?
apontou a maçã.
- agora ela é demasiada tardia. te provarei somente amanhã.
a continuidade do enredo não era um fato, ele sabia.
mas coloriu o segredo e se referiu ao próximo ato.
cinemascope brilhante II
e o rio
o tempo
se refletiu em outro instante
o brilho
arrastou sua vertigem para adiante
a maçã
insistiu um abraço de copa
e a manhã foi uma mordida precipitada.
cinemascope brilhante III
onde jaz uma dúvida.
remota dúvida.
- agora provada irá ter com o mundo e o eterno?
cinemascope brilhante IV
a escolha é a perda de algumas delas
que sejam as vísceras, a torre, os olhos ou os sonhos...
os dedos para contar e os lados para medir
foi a esta qualquer intenção que o diamante se deixou debilitar
não permitia ao corpo a emancipação do seu costume
e nem à intuição a rebeldia do seu sangue
paciência...
eram quatro ventos que lhe sopravam a mesma tentação,
porém cada qual em distinta direção.
cinemascope brilhante V
cinemascope brilhante VI
cinemascope brilhante VII
cinemascope brilhante 8
domingo, janeiro 20, 2008
"onde morre a poesia?"
onde é só invenção...
cântico sem data VI
o que já é concreto,
viabilizar a impossibilidade
de ser o que já é...
cântico sem data V
É a vista que se turva para que outros reflexos me sejam favoráveis
Ainda reconheço as formas à minha frente
Mas onde estarei agora pincelando horas que me convém?
Percebi que o tempo não está ao meu lado
Foi este vento que bateu
E que ainda balança os pingentes de metal...
balança... balança...
cântico sem data IV
tal qual fosse de papel e se borrasse com a ponta de idéia que se repete
um sonho de tédio!
sinto mesmo,
ainda desperta torno a usá-lo como esboço...
cântico sem data III
confia o peito sobre a pedra irredutível e impalpável
do gozo ao desgosto
da rocha muda e perpétua
que confinada sob a carne omissa
aguarda a erosão de um segredo
cântico sem data I
é o vento que os traz e logo os leva em retorno
instante de imperfeição
assim é como me parece a felicidade.
terça-feira, agosto 14, 2007
cinemascope brilhante IX
sexta-feira, agosto 03, 2007
cinemascope brilhante X
é uma ladeira, uma madrugada
parada, atravessando uma cardinale
com a flor presa à orelha
um plongé de paralelepípedo
uma subliminar de estrela







